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NOVA IORQUE

A natureza é feita de ciclos e tudo regressa ao sítio onde começou. A Red Bull BC One não podia ser diferente. Esta história começou em 2004 na cidade de Biel, na Suíça, e passou por Berlim (Alemanha), São Paulo (Brasil), Joanesburgo (África do Sul) e Paris (França). A sexta edição terá lugar no próximo dia 18 de Novembro em Nova Iorque, Estados Unidos da América, a cidade berço do b-boying, componente histórica do hip hop que hoje é uma força cultural por mérito próprio, com seguidores em todo o planeta e, a julgar pelas proezas de que são capazes os b-boys e b-girls de topo, até noutras galáxias!

Se qualquer actor sonha com uma subida ao palco numa noite de óscares, todos os b-boys desejam um dia estarem presentes na Red Bull BC One. Este evento separa o que é simplesmente excelente do que é realmente fenomenal. Anualmente, a Red Bull BC One reúne os 16 melhores b-boys do mundo num evento em que se “defrontam” one on one, em batalhas de destreza, movimento, flow e criatividade física em estado puro. Este ano, pela primeira vez, um b-boy português ascende à categoria máxima da sua arte e representa as cores nacionais na Grande Maçã. Chama-se Lagaet.

Nascido na Martinica há 21 anos, Lagaet representa a Momentum Crew do Porto e possui um palmarés impressionante que começa a listar títulos a partir de 2003, um ano apenas depois de ter descoberto o b-boying. E isso aconteceu quando os power moves de um colega de escola o impressionaram suficientemente para o levar a experimentar essa acrobática forma de dança. Observar Lagaet em profunda concentração sobre um quadrado de lona é testemunhar a forma como a história se manifesta num corpo. Feito de fibras que parecem contrair-se e distender-se por mera força de vontade, o corpo de Lagaet é uma máquina afinada ao longo de sete anos de intenso treino e dedicação. Quando a sistema de som dispara os breaks de funk certos, os ténis que calça parecem revelar uma tecnologia alien qualquer que lhe permite desafiar as leis da física, como se ele não estivesse sujeito às mesas forças de gravidade que todos os restantes mortais.

De sorriso largo na cara, Lagaet demonstra no entanto ter os pés bem assentes na terra. Humilde, como qualquer b-boy que tem consciência de uma nobre linhagem que começou há mais de três décadas no Bronx, Lagaet sabe o seu lugar na história, mas também respira ambição. Afinal de contas já coleccionou troféus em Portugal, Espanha, França e Luxemburgo. Por outro lado, a dança já o levou até lugares tão distantes como a Coreia ou a Sibéria, numa prova de que esta é mesmo uma cultura global. Lagaet quer deixar a sua marca e o facto de se ir apresentar no mais prestigiado evento mundial de b-boying na cidade que viu esta cultura nascer significa o mundo para si: como tantas outras pessoas, também lagaet usaria de bom grado um crachá com as palavras “Eu” e “Nova Iorque” separadas por um coração vermelho.
Mas porquê a mística?

Há cerca de três décadas e meia, Afrika Bambaataa decidiu abandonar o gang Black Spades com que cruzava as ruas do Bronx e investir toda a sua energia na criação de uma nova forma de cultura. Inspirado pelas suas raízes africanas criou a Zulu Nation e instigou jovens das redondezas a substituírem a violência pelo estilo, a raiva pela expressão. Nasceram assim os quatro pilares da cultura hip hop – o djing, o mcing, o graffitti e o b-boying ou a música, a poesia, as artes plásticas e a dança de uma nova geração. O dj descobriu uma afinidade particular com os discos de funk repletos de breaks, aquela parte em que a banda toda acalma e deixa o baterista e talvez o baixista expor a assinatura rítmica de uma canção. A palavra break significava pois originalmente “pausa”, como em “coffee break”. Pausa para a banda e trabalho extra para o baterista. Os djs do Bronx perceberam rapidamente que essa era a parte da música que atraía mais atenções de quem procurava impressionar na pista de dança com passos cada vez mais expressivos e acrobáticos. Por se expressarem sobre os breaks ficaram conhecidos originalmente por break boys e mais tarde, de forma mais abreviada, por b-boys.

Os writers que pintam graffitis podem contar as suas histórias por imagens, os dj’s podem usar os ruídos da cidade para injectar realidade na sua música e os mcs têm todas as palavras do mundo à sua disposição. Mas o b-boy conta apenas com os seus power moves, a sua arte, o seu flow que lhe permite enquadrar gestos impossíveis em cima da música para contar a sua própria história, para nos dar a sua própria imagem da cidade. Trinta anos depois de «Rapper’s Delight» ter levado o hip hop – e o b-boying – para fora das apertadas fronteiras do Bronx, Lagaet vai poder contar a sua própria história aos restantes 15 b-boys que o acompanham a uma edição do Red Bull BC One que pode muito bem ser a melhor de sempre. KRS One, lendário MC que é uma espécie de consciência e guardião do templo do hip hop, será o anfitrião de uma noite que se adivinha mágica. 16 guerreiros modernos vão batalhar por um título que os colocará no topo do mundo durante 12 meses. No público estarão os seus irmãos e irmãs, a nata do universo do b-boying, para que a consagração do vencedor se faça perante os seus pares.

E em palco, arte em estado puro. Arte em movimento, com o impressionante estilo dos b-boys a ditar as regras que animarão esta forma de dança durante os próximos tempos. É aqui que a fasquia se eleva ao máximo. É aqui que os b-boys se transformam em lendas. No berço onde tudo começou começa-se agora a desenhar o futuro.

“Who is the ONE?”

HOST:
KRS-ONE
JUÍZES:
Katsu/The Mighty Zulu Kingz (Japão)
Salah/Vagabonds Crew (França)
Ronnie/ Sup3r Crew e campião da edição 2007 Red Bull BC One (USA)
Cico /Spinkingz (Italy)
b-boy Float (USA)

B-Boys -Os 5 primeiros nomes divulgados são:
Wing na defesa do seu título de 2008
Lilou ex-campeão Red Bull BC One
Neguin do Brasil [newcomer]
Lagaet de Portugal [newcomer]

 

 

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