A Red Bull Air Race World Championship, no seu esforço contínuo para melhorar a segurança e a justiça do desporto aéreo motorizado mais emocionante do mundo, introduziu um peso mínimo para os pilotos, que este ano será de 82 kg, no sentido de equilibrar os 540 kg de peso mínimo das suas aeronaves.
De acordo com o Flight Operations Manager Achim Hofmann, os pilotos com peso inferior a 82 kg serão obrigados a levar uma carga de compensação nos seus aviões, acoplada aos seus lugares. O fosso entre o piloto mais pesado na época passada, o britânico Paul Bonhomme (92 kg) e o mais leve, o australiano Matt Hall (68 kg) será assim tendencialmente encurtado. Não há limite máximo de peso pelo simples facto de cada quilo extra custar ao piloto valiosas fracções de segundo nas curvas com elevadas forças G. Não espanta que os pilotos com peso acima dos 82 kg estejam a trabalhar arduamente para reduzir o seu peso corporal, uma missão que será provavelmente muito complicado para os mais altos.
O australiano Matt Hall é um dos poucos que fica a perder grande parte da vantagem que tinha com o seu peso, factor que o poderá ter ajudado no espectacular terceiro lugar conquistado no final da sua temporada de estreia, no ano passado.
"Vendo bem as coisas, sou obrigado a concordar com esta medida, pois é o próprio desenvolvimento do desporto que está em causa. Se olharmos para todas as grandes modalidades motorizadas, há sanções relacionadas com o peso para compensar as diferenças entre os pilotos. Apenas tenho que aceitar isso. Sinto que estou a perder parte da minha vantagem natural. É algo com que posso viver. Isso significa que se eu agora conseguir bons resultados vou provar às pessoas que o consegui por mérito próprio. Ao carregar peso extra vou perder fracções de segundo, o que terei de recuperar através de um maior controlo do avião."
Hall, que tem 1,73 m de altura, ganhou cerca de 4 kg de massa muscular na pré-temporada e agora pesa 72 kg. Assim, terá que transportar cerca de 10 kg de carga extra.
"Estive no ginásio a fazer mais trabalho de musculação e a criar mais força muscular. Agora não tenho que me preocupar tanto em evitar ganhar massa muscular como fiz no ano passado", disse o australiano. "Isso faz de mim um piloto de corrida mais forte. Mesmo que pudesse comer e beber o que quisesse, não o faria pois preocupo-me muito com o físico. É muito importante estar em forma, por isso não quero peso extra, apenas mais força muscular".
No outro extremo do espectro, Bonhomme (agora com 88 kg) e o americano Kirby Chambliss (90 kg) ficaram compreensivelmente satisfeitos com a nova regra - que coloca a Red Bull Air Race em consonância com outras modalidades como a Fórmula 1 e as corridas de cavalos, onde os pesos são cuidadosamente regulamentados para tornar a competição justa.
"Esta é uma evolução muito positiva", disse Bonhomme, que tem 186 cm de altura. "No ano passado houve uma diferença de 20 kg entre mim e o Matt. Quero descer até aos 85 kg. Não é realista tentar chegar aos 82 kg, pois ainda é uma diferença de 3 kg, mas estou muito melhor do que no ano passado. "
Bonhomme reconheceu que a diferença de peso se tornou especialmente visível na época de 2009, quando, devido a razões de segurança, foi criado um limite máximo de velocidade. Antes disso, os pilotos mais pesados poderiam até ter uma ligeira vantagem de velocidade e força no início da corrida, o que seria mais ou menos ajustado no decorrer da prova, quando os pilotos mais leves tivessem a sua vantagem nas curvas de elevadas forças G.
"Se mergulhares num avião mais pesado a 1.000 pés de altitude estarás a ir mais rápido do que se mergulhares com um avião mais leve", afirmou. "Certamente que na primeira metade da primeira volta, os pilotos mais pesados tinham uma ligeira vantagem. Mas isso acabou no ano passado."
Chambliss, que pesava cerca de 92 kg no ano passado, está agora com 90 kg e espera conseguir baixar o seu peso para cerca de 86 kg. "Acho que a nova regra vai ajudar muito", disse Chambliss, que tem também 186 cm. "Os pilotos mais leves continuarão a ter uma ligeira vantagem, ma já não vai ser tanta. O peso é um factor importante e é bom que eles, agora, o tenham posto no seu devido lugar. Imaginem que tínhamos agora um novo piloto que pesasse apenas 40 kg. Eu nunca vou ter 40 kg."
Hannes Arch, o campeão de 2008, tem-se mantido em torno dos 82 kg nos últimos dois anos, depois de perder cerca de 10 kg, durante a pré-época de 2008. O austríaco, que mede 180 centímetros de altura, também saudou o novo limite.
"Sempre a favor de um limite de peso", afirmou Arch. "Eu não preciso de fazer nada além de ficar em boa forma. Hall e os pilotos mais leves estarão a perder a sua vantagem de peso. Os pilotos mais pesados são já os mais competitivos em prova, Paul e Kirby. Parece que eles terão aqui alguma vantagem. Mas eu conheço esses pilotos. Eles estão numa idade em que é difícil baixar o peso, assim sendo acho que apesar de tudo vão estar em desvantagem".
Michael Goulian, que tem 70 kg e 172 cm, afirmou que o peso mínimo foi uma evolução positiva, mesmo que em teoria no caso dele seja prejudicial. Para o norte-americano, as equipas ainda estão a trabalhar para retirar todos os obstáculos para alcançar o peso limite mínimo de 540 kg nos seus aviões.
"Esta regra vem em boa altura. Trata-se, essencialmente, de nivelar o jogo no que respeita à igualdade de peso", disse Goulian. "Obviamente que quanto mais leve for o avião, melhor. Mas eu não tenho a certeza se as pessoas compreendem exactamente o quanto conta o peso. Agora vão descobrir isso, porque vão haver várias pessoas que pesam o mesmo. Para mim é uma desvantagem. Mas temos que viver com as cartas que temos.”
Hofmann esclarece que o critério dos 82 kg resulta da média de peso dos 15 pilotos que estiveram presentes na corrida do ano passado, no Porto e em Gaia, quando as discussões para a introdução de um peso mínimo começaram a ganhar uma maior expressão. Refira-se que esta foi uma iniciativa dos próprios pilotos.
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