Pete McLeod - Qualificações @Rio de Janeiro

A preparar-se para a única corrida onde conta com um forte apoio do público, McLeod espera repetir nos dias 5 e 6 de Junho o sucesso alcançado no ano passado em Windsor, já que foi nesta etapa que conquistou o primeiro ponto da sua carreira. Para já o piloto tem bons motivos para estar confiante, pois ocupa um honroso quinto lugar da classificação geral na sequência de três resultados empolgantes. Assim, e apenas na sua segunda época, o canadiano está à frente de muitos veteranos deste desporto.

"Eu não poderia pedir um melhor início de temporada! Os resultados que alcancei nas primeiras três corridas colocaram-me exactamente onde quero estar", afirmou McLeod na semana antes da corrida de Windsor, cujo traçado é montado ao longo do rio Detroit. "O apoio de canadianos em todo o país continua a crescer, mas a forma especial como os moradores de Windsor, Londres e Red Lake nos apoiam nesta etapa é qualquer coisa de especial".

Por que é que a idade nem sempre é um factor decisivo

Apesar de não dispor de um currículo em nenhuma companhia aérea e de não ter também qualquer experiência em jactos militares, o piloto de alto rendimento de Red Lake, Ontário, acumulou uma impressionante quantidade de horas de voo em condições particularmente hostis. Habituado a tomar decisões sob pressão, McLeod diz sentir-se totalmente confortável no ambiente de competição. Por isso manteve a calma até agora, enquanto muitos outros falharam.

Sem o conforto dos mergulhadores especializados em resgate e equipas de emergência de prevenção, como acontece nas corridas, voar sobre as paisagens inóspitas do Canadá é sem dúvida um desafio. Por um lado exige uma enorme habilidade e por outro uma forte capacidade de avaliar situações inesperadas com rapidez e precisão. Os anos que faltam a McLeod, parecem ter sido compensados com o treino intensivo – o que lhe confere uma experiência inestimável como um piloto de corrida.

Na primeira corrida da temporada de 2010, esta formação comemorou um histórico 5º lugar em circunstâncias extremas – com as temperaturas elevadas a condicionarem a prestação de muitos pilotos.
Mais tarde, em Perth, vários pilotos foram apanhados pelos ventos cruzados sobre o rio Swan, o que ditou muitas penalizações. Não foi assim para McLeod, que fez uma prova limpa e terminou à porta da Final 4, pela segunda corrida consecutiva. Poderia também ter sido assim no Rio, mas as chuvas torrenciais deitaram por terra os planos de McLeod. Como a corrida não se realizou, as classificações basearam-se nos tempos das qualificações e assim o canadiano não foi além do 7 º lugar.

"Eu acho que é algo que tenho que aproveitar", afirmou McLeod em relação à sua capacidade de adaptação aos traçados mais exigentes. Foi esse o caso de Windsor no ano passado, quando as condições difíceis forçaram os pilotos a alguma contenção, no sentido de evitarem penalizações indesejáveis. "Windsor é uma das minhas corridas preferidas, com um percurso muito apertado e implacável. Eu gosto quando as condições são diferentes e isso realmente não me incomoda. Primeiro observo a pista e faço a minha análise no dia da corrida, incorporando depois essas mudanças no planeamento antes do primeiro voo do dia. Na verdade acabo por sentir alguma motivação extra por verificar que muitos dos meus rivais são mais sensíveis às alterações das condições da pista. Sei que não será assim em todas as corridas, mas por enquanto acho que vou tirando alguma vantagem”.

A melhor postura mental
Na qualidade de piloto de terceira geração, McLeod andava já a voar com o seu pai e avô, enquanto a maioria de nós aprendia a atar os sapatos. Desde os seus 16 anos - idade a partir da qual é possível iniciar oficialmente a contagem do tempo de voo - que McLeod já acumulou cerca de 2200 horas. No total, cerca de metade deste tempo gasto a navegar sobre o implacável terreno da sua terra natal. Por isso podemos hoje dizer que há uma mudança definitiva no perfil médio do piloto da Red Bull Air Race, no que respeita aos seus antecedentes e à forma como do desporto evolui. No entanto, e apesar de todas as diferenças, existe ainda um fio condutor comum a todos quando está em causa uma postura madura de voar e a consequente capacidade de reacção quando as coisas não correm da melhor forma.

"Tenho um enorme respeito por todos os pilotos que aqui andam e se imaginarmos os currículos que estão em cada hangar, é simplesmente incrível", acrescenta McLeod, ciente de que está agora na companhia de muitos heróis da sua infância. "Chambliss e Goulian eram os pilotos que eu seguia nas exibições aéreas quando eu era mais jovem. Eles eram as referências da época. Portanto, é uma honra para mim ser capaz de competir contra eles e voar com eles. Mas perante a realidade actual só tenho que dar o meu melhor na pista e isso leva tempo. Na verdade o mais importante é saber tomar as decisões correctas e se assim for os meus adversários vão respeitar-me, independentemente de eu ter 25 ou 55 anos”.

Equilíbrio entre juventude e sabedoria
Embora este jovem de vinte e tantos anos já tenha demonstrado ser perfeitamente capaz de gerir a sua equipa de corrida, nem por isso rejeita alguma ajuda externa. O seu grande mentor e conselheiro é o seu pai, Dave McLeod, que está a ajudar o filho durante toda a temporada de 2010 como “manager” da equipa, fazendo assim uso do tipo de sabedoria que só pode ser acumulado ao longo do tempo. Ele próprio um piloto experiente, McLeod (pai) tem sido uma influência sólida e de valor inestimável na progressão da carreira do filho e continua a apostar forte no grande objectivo de Pete - ganhar o campeonato quando completar 30 anos.

"Acho muito bem que ele atinja esse objectivo", afirma o orgulhoso pai de McLeod. "Ele tem voado toda a sua vida e desde uma idade bastante jovem tem alcançado metas importantes. E foi mesmo capaz de atingir essas metas ao longo de todo o caminho. Muito cedo, quando estava na universidade, ele tomou consciência do que era a Red Bull Air Race, e a partir daí esse tornou-se o seu foco principal. Ele tem trabalhado muito duro e a sua postura é um forte motivo de orgulho para a família. Ele fez os sacrifícios e todas as coisas que qualquer pai gostaria de assistir em termos de crescimento e desenvolvimento. Isso tem sido muito importante para nós. "

Muitas vezes elogiado por um caminho de maturidade pouco comum para a sua idade, McLeod parece ter herdado alguns dos atributos do seu pai e não é facilmente distraído pelo glamour da participação neste desporto de alto nível. "O outro lado da moeda é como Pete se preparou ao longo dos anos", acrescenta McLeod sénior. "Não é apenas sobre a evolução do seu conjunto de habilidades, mas também sua atitude mental. Sei que não existem estrelas em seus olhos! Ele é calmo e realmente pensa sobre o que faz e traça os seus planos em conformidade. Isso dá-nos um grande conforto, como uma família. Voar num ambiente tão duro como aquele que Pete teve em casa aqui no Canadá não é fácil. Lá fora o ambiente é mesmo inóspito, e quem cometer um erro vai ter que pagar por isso. Penso que tomar decisões sobre a sua própria sobrevivência preparou muito bem o meu filho para este mundo da competição.”

Mais informação em www.redbullairrace.com
 


Comentários

    O teu nome completo

    * Todos os campos são obrigatórios
    Só 2000 caracteres são autorizados a entrar :
    Escreve à esquerda, e clica em "Publicar comentário":

    Detalhes