Os Espacialistas@Red Bull House of Art_Inauguração Red Bull Portugal

O Piscocenho: medi(a)ção do espaço.

11/11/11 foi a data em que Os Espacialistas chamaram exposição à casa que habitaram nas últimas dez semanas. Até na data da inauguração está reflectida a coincidência e a conceptualidade que pautaram a residência destes 4, permitam-nos, artequitectos na Red Bull House of Art.


A partir das 19h de sexta-feira última, os curiosos e os entendidos que iam entrando no penúltimo piso do torreão encontravam a quadrícula de vidraças coberta de esquissos fotográficos, qual narrativa a 360 graus da estratégia de ocupação espacialista. A omnipresença de alterações de escala fazia da perspectiva brinquedo: gotas de água tão grandes como pilares da ponte, o sangue acidental de um espacialista a ganhar dimensões de cidade, formigas a prevalecer sobre gente, ou homens tão pequenos que cabem na mão de outros. Tudo isto dava seguras pistas para o que viria a seguir.

Ao fundo do terraço, o campo de treinos espacialista onde aconteceu, entre outros exercícios, o levantamento da linha do horizonte, pode encontrar-se a estrutura metálica de um grande cubo enviesado, a levantar a questão do espaço e da nossa relação com ele. No ar, ouve-se rádio mal sintonizada, o seu ruído estático a confundir-se com o do agitar das bandeiras de papel metálico que ladeiam o espaço. O piscocenho também lá está: alterado em escala e em função, usa a luz como isco para pássaros grandes, quiçá para aviões de pequeno porte.

No último piso, onde antigamente se depositava a água, depositam-se agora provas da investigação artística/arquitectónica d'Os Espacialistas. É a materialização do D.I.A. (depósito de investigação artística), onde os visitantes, incrédulos, se perdem e voltam a encontrar-se. Onde há piscocenhos que servem de padrão gráfico, de brinco, de constelação ou de tenda de campismo e se invoca Duchamp com uma roda de bicicleta que é um leme. Onde há um abecedário arquitéctónico intricado, que compõe “a cidade dos cantos” ou “a cidade da temperatura”. Onde Gonçalo M. Tavares entrou em simbiose com o colectivo e escreveu “O que vai lá em cima pode ser apanhado cá em baixo”. Onde até o entulho da grande obra de Felizardo, o anterior artista residente, foi aproveitado.

No fim da noite, balanço feito, 1040 olhos foram inundados pelo mundo d'Os Espacialistas no primeiro dia de exposição.

Cada gesto do quotidiano d'Os Espacialistas na Red Bull House Of Art foi crucial para que a obra assim aflorasse, plural e descomplexada, “sempre outra”, nas palavras do curador Delfim Sardo. Até ao dia 10 de Dezembro, esta mostra de inovação na arte continuará a receber visitas, terça a sábado entre as 14h e as 19h.
 



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