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Três meses depois do implacável ataque que fez tremer as 10 principais entidades culturais de Lisboa, o processo Red Bull Street Gallery dá mais um passo na sua luta por uma arte livre e aberta. A explosão de arte que a cidade mais precisava gerou uma explosão mediática a todos os níveis.

Na sua edição de Setembro, a revista DIF #69 [www.difmagazine.com] aposta numa reportagem das intervenções Red Bull Street Gallery: fotojornalismo no limite da legalidade! Também em Setembro chega a estreia do filme mais esperado do ano: WE ARE MOVING IN, documentário gravado entre stencils e perseguições, tem estreia mundial marcada para 5a feira, 24 de Setembro, às 22.45 na SIC Radical. Puro terrorismo visual!

Mas os sons também fazem parte do manifesto Red Bull Street Gallery: a banda-sonora desta iniciativa estará disponível online em www.wearemovingin.com; o arquivo digital que a partir de hoje reúne todos os vídeos, acções e dinamite Red Bull Street Gallery! Seja para consulta, partilha, uso ou abuso, wearemovingin.com é simplesmente a ferramenta que a rua há muito reclamava.

MANIFESTO //

Onde acaba e começa a arte? Existem artistas e Artistas? E estarão os museus prontos para receber a arte actual? Não é novidade para ninguém que os meios artísticos se sentem confortáveis entre pontos de interrogação e debate. A natureza contestatária é a base da evolução/revolução que serviu todas as vanguardas artísticas dos séculos XX e XXI. Porque será então que, em pleno 2009, os museus se continuam a fechar a algumas das mais energéticas forças artísticas?

A Red Bull Street Gallery é uma acção colectiva que anualmente promove um conjunto de intervenções artísticas clandestinas. O objectivo último: desafiar o dogma contemporâneo do museu enquanto espaço fechado e abrir espaço à arte pela arte. Na sua 3ª edição, o Red Bull Street Gallery convidou 10 artistas provenientes de diferentes esferas da criação gráfica e plástica a intervir em outros tantos museus da cidade de Lisboa. Cada uma destas acções furtivas permitiu criar um diálogo livre entre propostas performativas, design, ilustração contemporânea, art gaming e os acervos das principais instituições culturais da cidade.

As obras, de estilo, formato e conceptualização livre, foram expostas marginalmente, pelos próprios autores, no dia 17 de Maio de 2009, propondo uma nova forma de celebração do Dia Internacional dos Museus. Algures entre a colecção de cada um dos espaços escolhidos e a irreverência dos artistas convidados, o Red Bull Street Gallery questiona as linhas discursivas que continuam a impor divisões que a arte, em si, desconhece.

Q //

CRASHER 001: Quem toca a flauta no mundo da arte?

No mundo da arte como em qualquer meio de expressão pessoal cada artista toca a sua própria flauta da mesma maneira que cada ser humano têm dois braços e duas pernas. Não há herois.

CRASHER 002: Como seria o teu museu imaginário?

O meu museu imaginário seria livre de julgamentos sobre o verdadeiro significado de arte, seria um local de exploração, de experimentação, onde cada um era desafiado a realizar a sua interpretação de arte, fosse uma pintura de um palhaço a chorar, uma instalação video de uma partida de badminton entre 2 esquilos, ou simplesmente uma ervilha numa sala branca, o conceito seria o de desafiar os preconceitos relativos ao mundo artístico. talvez um dia este museu exista...

CRASHER 003: Que “fantasma” fica no azulejo?

O "fantasma" que fica no azulejo revela-se sempre que a memória deste nos é partilhada e pelo que nele se espelha, tanto uma sombra projectada como um reflexo do seu observador, tanto um gesto como um rasto deixado por quem o criou. Este fantasma não tem linhas que cheguem para o definir nem é transparente ao ponto de não se ver; nasce com quem o pensa, cresce e é mutável consoante os tempos e as pessoas que por ele passam e passaram.

CRASHER 004: “A poesia está na rua!” disse Vieira da Silva. E a tua arte?

Latitude: 38.72218716948744, Longitude: -9.15583848953247

CRASHER 005: Qual é a santa (?) trindade da tua obra?

A Santa Trindade da minha obra é uma galeria, um laboratório e fachadas. A Arte urbana santifica o território, a participação para a sustentabilidade existirá assim, exista RESPEITO pelo passado de qualidade.

CRASHER 006: Que ficção esconde a tua intervenção?

A narrativa que construí e que serve de mote ao desenvolvimento da obra, é sem dúvida ficíonada: ‘’Dr. Anastácio Gonçalves faz diligências com o intuito de encomendar um remake do seu retrato, outrora pintado por José Malhoa. Fontes próximas do seu consultório adiantaram a esta agência noticiosa que José Fictício, também habitualmente referido como Ficto, é um dos nomes que figura em cima da cómoda.’’

CRASHER 007: A arte contemporânea é uma caveira?

Acho que a arte contemporânea tal como todas as restantes dão-nos a possibilidade de as ver como Caveiras, objectos físicos que nos apresentam momentos acabados, mortos e registos do passado por muito recente que este seja. Por outro lado, temos o indivíduo que materializa o objecto, a obra e a inevitável luta do mesmo entre o sucesso material da sua produção e o fantasma da imortalidade. Duma maneira ou outra tudo o que fica para trás de todos os indivíduos é a Caveira. Simbolicamente no que me diz respeito qualquer interpretação é tão válida como a seguinte. Who Cares?

CRASHER 008: Obra afixada é obra celebrada?

Obra afixada é obra celebrada, só na parede da galeria, com direito a vernissage : um tinto daqueles do Lidl um Martini, pastéis de bacalhau e amendoins daqueles picantes. depois vamos para casa com a barriga a doer e nem nos lembramos do que vimos na parede...

CRASHER 009: Que cruzetas é preciso puxar para ter outra(s) arte(s) nos museus?

Para ter outra arte nos museus, não é preciso puxar cruzetas...mas sim enterrar as antigas.

CRASHER 010: Quem telecomanda a arte?

A arte è telecomandada pela inspiração, como a inspiração vem da terra, podemos também dizer que a arte è telecomandada pela natureza. São os artistas o veiculo que a transportam, umas vezes para a direita, outras para a esquerda, depende sempre do lado em que a natureza tem a mulher mais bonita.

eLEGAL //

Pelo seu carácter activista, a iniciativa Red Bull Street Gallery apoia-se num conjunto de intervenções clandestinas, promovidas sem o consentimento dos museus ou centros culturais visados.

A Red Bull Street Gallery respeita profundamente o trabalho desenvolvido por cada uma destas entidades e nenhuma das acções desenvolvidas pretende desconsiderar os seus méritos. Os objectivos deste projecto passam por contribuir para evolução do panorama cultural português com um debate relevante e criar espaço para um circuito alternativo para a criação contemporânea.

Desta forma, quaisquer questões legais que possam decorrer do âmbito de ditas acções, assim como das manobras de afixação/exposição das obras, são da inteira responsabilidade da Red Bull Portugal.

**ONDE??

MUSEU DA MARIONETA, MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA FUNDAÇÃO ARPAD-SZENES VIEIRA DA SILVA, FUNDAÇÃO GULBENKIAN, CASA-MUSEU DR. ANASTÁCIO GONÇALVES, MUSEU COLECÇÃO BERARDO, MUSEU ESCOLA DAS ARTES DECORATIVAS/FUNDAÇÃO RICARDO ESPÍRITO SANTO, MUSEU DO CHIADO – MUSEU NACIONAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA, MUSEU DE SÃO ROQUE – ARTE SACRA , MUSEU DO AZULEJO.

WAMI //

Na era da arte efémera, a memória audiovisual é uma ferramenta imprescindível. We Are Moving In (WAMI), a shortstory que acompanha o activismo criativo dos dez artistas Red Bull Street Gallery desde o momento da idealização da obra até à sua exposição clandestina, é uma peça a meio caminho entre o documentário e a ficção que ilustra a funkiness de cada momento desta aventura.

Enquanto um carro telecomandado salva a bruxa do tríptico Bosch, um parto simulado dá à luz uma instalação e o Museu das Marionetas ganha a mais metafórica das suas cruzetas. Em três curtos episódios, WAMI revela as 10 intervenções Red Bull Street Gallery que são, à sua maneira, 10 ensaios que desafiam os limites da arte e brincam com o fogo institucional.

Com um sorriso nos lábios e uma ideia em mente, um grupo de artistas ataca conceptualmente os espaços expositivos mais importantes da cidade de Lisboa. Para trás fica um rastro de cor e criatividade e um debate sem fim: e agora, quem invade o quê?

*QUEM ?

CARLOS MATIAS, DIOGO RUAS, DIRTYCOP, K, JOSÉ FICTÍCIO, MARIA IMAGINÁRIO, MOSAIK, PAULO FERREIRA AKA TOSCO, PEDRO SOARES NEVES, ZÉ PAZ.

****Fotos disponíveis para download por CRASHER aqui

  WAMI pdf Download

 


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