TÉCNOLOGIA É A REDE DE SUPORTE AO MAIOR SALTO DA HISTÓRIA
Depois de apresentado aquele que é já considerado o projecto espacial privado mais ambicioso da história, a Missão Red Bull Stratos acaba de anunciar a total operacionalidade de 95% dos componentes que vão suportar o salto do austríaco Félix Baumgartner. Até aos 120 mil pés, a viagem será feita a bordo de um sofisticado balão de hélio e vai demorar três longas horas!
É sem dúvida um grande passo para a humanidade, retomando o caminho percorrido nos primeiros tempos da exploração espacial. Figura central da Missão Red Bull Stratos, o piloto Félix Baumgartner - actualmente com 41 anos - pretende ser o primeiro Homem a atingir autonomamente uma velocidade supersónica.
À medida que este grande momento se aproxima, também aumenta a pressão psicológica sobre o austríaco que ganhou fama ao saltar de alguns dos edifícios, monumentos, construções e paisagens mais emblemáticas do Planeta. “Na noite que antecede qualquer salto perigoso, é impossível não pensar que essa poderá ser a última noite da minha vida”, explica Baumgartner. Desta vez, a dimensão de todo o projecto cria outro tipo de expectativas e responsabilidades; “Por um lado sinto uma enorme pressão por saber que estou no centro de todas as atenções, mas mais do que isso esta é uma questão de vida ou de morte. Ninguém sabe exactamente o que acontece ao corpo humano numa descida à velocidade do som. Algumas partes do corpo serão expostas a velocidades supersónicas, enquanto que outras enfrentarão níveis subsónicos. Este será um momento crítico”.
Mobilizando uma vasta equipa de profissionais com larga experiência em missões espaciais, incluindo o Coronel Joe Kitinger - que estabeleceu em 1960 o maior salto da história de uma altitude de 102.800 pés - a Missão Red Bull Stratos baseia-se naturalmente numa complexa teia tecnológica de suporte à vida e aos ambiciosos objectivos apresentados (cinco novos recordes). Numa partilha de experiências e conhecimentos que envolve a própria NASA - não é por acaso que a missão está baseada nos Estados Unidos da América - cada detalhe conta. Neste momento, está validada a total operacionalidade de 95% dos componentes envolvidos - o que implicou um intenso programa de testes dentro e fora de portas.
Para alcançar a Estratosfera e a meta dos 120 mil pés de altitude, será utilizado um enorme balão de hélio com 9 milhões de metros cúbicos de capacidade, 161 metros quadrados e 1.3 toneladas de peso construído com fibras de alta resistência. Baumgartner irá viajar durante cerca de três horas protegido de condições térmicas e de pressão extremas por uma cápsula capaz de suportar forças até 6G. Fato e capacete são o binómio que se segue, dois aspectos desenvolvidos pela mesma empresa que fornece a NASA desde os anos 40 do século passado. Finalmente, uma nota para o inovador conjunto de pára-quedas especificamente desenvolvidos para este salto. O primeiro a abrir será um pequeno pára-quedas destinado a estabilizar o voo e que está dotado de sensores que provocam a sua abertura a partir do momento que o piloto exceda os 3.5G durante mais de seis segundos.
MISSÃO RED BULL STRATOS - OS EQUIPAMENTOS
BALÃO: Dez vezes maior que o balão utilizado por Joe Kittinger quando estabeleceu um conjunto de recordes em 1960, o balão da Missão Red Bull Stratos apresenta uns impressionantes 9 milhões de metros cúbicos de capacidade e é construído com recurso a materiais de alta tecnologia extremamente leves e resistentes (polyethylene com 0.0008 polegadas de espessura). Com 160 metros quadrados, o balão pesa cerca de 1500 quilos.
Pelo facto de transportar a cápsula especialmente concebida para esta missão, o processo de lançamento do balão é um momento complexo que vai exigir o recurso a uma grua de 25 toneladas. A cápsula tem que encaixar como uma luva no compartimento previsto para o efeito, caso contrário será gerado um movimento pendular que pode deitar tudo a perder.
CÁPSULA: À semelhança de uma cabina pressurizada, a cápsula da Missão é um elemento essencial para a segurança de todo o projecto. Com 1.8 metros de diâmetro e 3.3 de altura, será aqui que Baumgartner irá viajar durante cerca de 3 horas até à altitude de 120 mil pés. Capaz de resistir a forças até 6G, a cápsula incorpora os mais modernos equipamentos para recolha de dados, com várias câmaras de alta definição que vão permitir a entusiastas de todo o Mundo acompanhar cada momento da ascensão.
KIT PORTÁTIL: Depois de abandonar a cápsula, Félix Baumgartner vai continuar a ter acesso a informações vitais graças a um “kit” de equipamentos acoplados ao seu fato pressurizado. O sistema de comunicações e navegação, telemetria, uma câmara HD com ângulo de 120 graus, e ainda um sofisticado sistema de medição de dados tornam este conjunto essencial não só durante o voo, como também para estudos posteriores.
SISTEMA DE PÁRAQUEDAS: Tendo em conta os objectivos supersónicos da Missão Red Bull Stratos, foi necessário desenvolver um conjunto de pára-quedas com capacidade para resistir às condições extremas deste salto de 120 mil pés. O primeiro a abrir é um pára-quedas estabilizador dotado de um sensor que provoca a abertura automática a partir do momento que o piloto exceda forças de 3.5G durante mais de seis segundos. Além do pára-quedas principal, Félix conta um pára-quedas de emergência que poderá ser aberto aos 2500 pés.
Mais informação em:
www.redbullstratos.com
Comentários
O teu nome completo