A passada debutante ocupação entre 15 de Fevereiro e 30 de Abril de 2011, curada por Filipa Oliveira, foi a de um Jorge Maciel “A treinar para a Sibéria”, com uma obra que foi causa e consequência do espaço que habitava e teve tanto de recolecção e de lúdico como de arriscada criação. Segue-se agora a vez da curadoria de Natxo Checa e a residência artística de Filipe Felizardo. Cada uma das sucessivas residências tem a duração de 10 semanas: oito para a produção/execução das peças, e duas para a mostra da obra resultante do trabalho desenvolvido. O espaço, os materiais, o equipamento e os recursos necessários à concretização das ideias do artista não escassearão, por forma a incentivar criações descomplexadas, sem limites impostos, permitindo ao autor superar-se e expandir o seu universo.
Natxo Checa, curador convidado descreve-o assim:
Criador heterogéneo com percurso desenvolvido em plataformas e práticas artísticas diferenciadas, Filipe Felizardo transita do desenho à fotografia, da imagem em movimento à música, estabelecendo um estreito vínculo entre o ínfimo e o universal.
Aprofundando ligações entre a condição humana e a representação do real, as suas obras revelam com frequência, a expansão das possibilidades de leitura e de estética.
A sua investigação artística é devedora de conjecturas e refutações entre as possibilidades alargadas do saber científico e a especulação filosófica.
Convoca a fenomenologia, a teoria quântica, o cálculo matemático e a psicologia, para dotar o seu trabalho de propriedades que transformem a percepção da qualidade inerente das coisas.
O seu processo de criação contempla a figura de espaços infinitesimais e formas abstractas, integrando o acaso e recorrendo à manipulação de fenómenos específicos da luz.
A minúcia que qualifica a sua investigação e processo de criação estende-se à forma como o espectador recebe a sua obra por via de uma mediação meticulosa.
Num universo em que o tempo se caracteriza de transitório, Felizardo formula obras especulativas que se manifestam em acontecimentos de carácter poético.
Ao limite, um chamamento lírico, ouvindo o espaço e sentindo o tempo atómico.
Filipe Felizardo [Bio]:
Lisboeta desde que nasceu, em 1985, Filipe Felizardo formou-se em realização e montagem na Escola Superior de Cinema. Trabalha híbridos de desenho, fotografia e instalação, obra que tem vindo a expor em Londres, Beirut e Lisboa, onde desenvolve uma residência de investigação na galeria ZDB. Ainda lhe sobra tempo para fazer música e pesquisa em física quântica.
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