Hey London! Care for a beat?
De facto, a representação portuguesa na Red Bull Music Academy 2010 não podia ser mais prometedora! Infestus e Markur representam duas abordagens diferentes de compor, experimentar e viver a música, mas representam também a pluralidade e energia que enche a cena local. Ambos se apoiaram fielmente nos seus skills, conhecimentos e méritos para fazer valer uma visão que lhes garantiu um lugar na Academy.
INFESTUS (http://www.myspace.com/infestusmusic), produtor filiado numa escola só sua, fascinou o painel da Red Bull Music Academy com produções que flutuam entre melódicas dubby, breaks dancehall e o distinto cheiro a sardinhas assadas em grelha subgrave. Para além do artesanato sonoro que desenvolve no seu quarto, nos dias que correm INFESTUS dá forma à sua aventura musical como teclista no combo blues The Ramblers e participando no projecto interdisciplinar Volte-Face - dança, poesia, música e vídeo. Para este estudante de ciências informáticas, 2010 será seguramente um bom ano para infestar novos campos.
Já MARKUR (http://www.myspace.com/photonz), metade dos inconformáveis Photonz, promete levar para Londres todo um programa de elementos exploratórios: a sua visão pessoal do dancefloor enquanto laboratório encontra expressão em faixashouse & acid, mas não só... Com 12'' editados em selos como a Living Records ou a D.I.R.T.Y. e tempo de antena justamente conquistado na BBC Radio 1, MARKUR chega aos corredores da Academy no momento certo para debater e assimilar novas perspectivas rumo ao next level. Se a experiência Red Bull Music Academy é gratificante para todos os que nela participam, o seu zénite reserva-se aos que, como Markur, procuram caminhos novos para os sons de sempre.
Red Bull Music Academy e Londres: simbiose 2.010
Neste preciso momento, na periferia de uma cidade anónima, um produtor trabalha os últimos detalhes de uma faixa. Dentro de poucas noites, essa mesma faixa arrasará um dancefloor cheio de cultores do som, apontando coordenadas para uma nova tendência na música: primeiro o underground, depois a cidade, mais tarde o mundo. O estilo ainda ninguém conhece; o produtor pode nem chegar a sair do anonimato; a faixa nem precisa de ter nome. Mas se há capital onde sementes como esta são constantemente lançadas, essa capital é Londres.
Londres confunde-se com a história da música e a história da música não vive bem sem a de Londres. Hub criativo com mais de dois milénios de história, nesta cidade cabem as mais relevantes galerias do mundo, uma rede de clubbing local de impacto global e uma atracção transversal pela diversidade e vanguarda. 2010 será ano de blitz cultural em Londres e as perspectivas não podiam sem melhores: a investida londrina representa a oportunidade da Red Bull Music Academy se pôr em contacto com a teia de tendências, microtendências e nanotendências que, depois de disputarem o subsolo londrino com o histórico tube, partem à conquista doutras cidades e mundos.
Seja qual for a checklist cultural de cada um dos participantes da Red Bull Music Academy, a edição de 2010 servirá as preferências de todos os melómanos através do contacto directo com a diversidade de Tamisa: arte exploratória, delicatessen urbana, páginas e páginas de imprensa cultural relevante, o éter essencial das primeiras rádios piratas, caveiras forradas a diamantes e, claro, aquela identidade londrina tão magnetizante que une sem esforços o ragga ao cockney, o curry ao fish&chips e sobretudo uma longa tradição criativa à visão da arte por vir.
Red Bull Music Academy - TERM I: 7 a 19 de Fevereiro, 2010
Red Bull Music Academy - TERM II: 28 de Fevereiro a 12 de Março, 2010
O SET PERFEITO: o processo de selecção Red Bull Music Academy
Passando os olhos pela lista de participantes e lecturers que desde há mais de dez anos contribuem para dar forma ao mundo Red Bull Music Academy, descobre-se todo o tipo de proveniências, estilos e posturas musicais. Na verdade, o papel de soundtrotter plural encaixa com uma perfeição sincopada no perfil da Red Bull Music Academy. A procura das tendências locais continua a ser feita com a mesma intensidade com que se estudam as grandes inflexões pop; o debate em torno dos últimos avanços em soft e hardware continua a merecer o mesmo relevo que uma dissertação sobre a espiritualidade do som ou a história da música no século XX. A Red Bull Music Academy, como a música, gosta de viver no domínio das linguagens universais.
Talvez por isso, ao longo dos últimos dois meses foram ininterruptamente submetidas candidaturas vindas de todo o mundo para a edição londrina da Red Bull Music Academy. Em 2009 não só chegaram pela primeira vez candidaturas de músicos, produtores e melómanos vindas de Angola, Gana, Qatar, Quirguizistão ou Coreia do Sul, como se manteve o saudável fluxo de mixtapes enviadas desde a Rússia, África do Sul ou Caraíbas. As revoluções musicais definitivas, como todas as outras, vêm de onde menos se espera! 2010 foi também o ano em que a cena local respondeu com mais energia ao desafio da Academy. 106 candidaturas chegaram à sede Red Bull Music Academy: a maior e mais inspirada participação portuguesa em oito anos de acção local.
O painel da Red Bull Music Academy - composto por um grupo dos melhores jornalistas musicais, DJs, responsáveis de editoras, músicos e promotores de clubbing - recebeu e analisou mais de 2000 candidaturas para chegar ao conjunto de 60 privilegiados que viajarão até Londres em 2010. Julgando pelo conjunto de propostas recebidas na sede da Red Bull Music Academy em Colónia, Alemanha, não há crunch a anunciar nas fileiras musicais! Dubstep - retocado, torcido e reinventado - hip-hop de escola electro, afro-indierock e numerosas propostas ainda por nomear vão enchendo de expectativa os corredores dos HQ da Academy: que surpresas trará 2010? E que melhor sítio para as conhecer que Londres?
www.redbullmusicacademy.com/
www.redbullmusicacademyradio.com
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